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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

ECONOMIA É A BASE DA "PORCARIA"



TOCARAM A MINHA  “GAITA”  SEM EU ISCUITAR.....

Chego na metrópole migrado da frôresta, e a concêio dos primatas mái viajados, percuro um hotérzinho “doze purgas”... São os miórs, prêu me atualizar us documento.
Na discunfiança dos popretários, uma indagação...
- Aí macaco, fais um depósito prévio de cem mangos ou duzentas pilas de seguro preventivo estornável pra ocupação ambiental.
Fazi cunforme o aconcêiamento... Saquei de duas nota de cem pila fiz o adepositamento e ezigí um arrecibo preu recuperá no caso de dizistência... E lá fui eu bisbilhota os purgueiros.
Mai no enquantamento qui eu ispícionava os purguero, notei o dizispero do gerente que sai no pinote cãs duas notas de pilas quêu arrepassei prele... Reto e certo   Cuma uma fréxa pro açougue, onde fiquei sabendo adispois que era pra sanar um adividamento de produtos La adicuirídos.
Pela vidraça do purguêro, vejo a cena se repetir logo após o hotelero sair, dizimbésta o açoguêro em direção ao fazendêro criador di papa-mío, o quár coincidêntemente devia duzentas pilas... Quitano anssim sua dívida.
Aí, bicervâno ainda, vejo o criador de penosas, numa carreira só, dizimfreada, sái em direção do vetenrinário, que por sua vêis já era devido por ele pelos serviçamentos de curaçao e remediamentos pras penozinhas.... Onde novamente por uma indiscutíve concidênça era de duzentas pilas.
O veterenáreo, cós zóis arregalado nas duas notas nas mão, vai sorrateramente di iscundidinho até o cazébre das muié de vida fáci “fací pra quem né”..  ali nas mensalína, e definitivamente quita seus pendêngues cás prostibulentas com as duzentinhas.
Mais do que na ora, a bisc***, ops... a vag***, ops... a pu**, ops... Ahh!! A muié piranhóviscamente dadeira, cata as duzentas pilas e ruma feito um torpedo cego, atropelando quárque um ne sua frente em direção ao purguêro de onde eu televisivamente urubucervava os acontecimentos.
Niquicando ela chegando lá, já encontrava o afoito popretário do purguêro di zóio nela espreitando-a e indagando sugestivamente que a merma fazêsse o pagamento de contínuas usadélas dos muquífos onde constantemente vinha alugando “sem pagar” pra devorá cexuarmente seus crientes.... Que por mai inacreditáver que pareça, erum ezatamente, duzentas pilas... As quais ela pagou efetivamente sanando suas pendengas com o hoteleiro.
Nessa ora, EU desço inconformado com os fatoramentos ocorritívos e dizô pro dono do purguêro que quero arresgatá minhas duzentas pilas, pois não gostara do que vi por entre as fartantes vidraças janelísticas da seu conceituado muquífo... Os quár ele me adevorveu "meus póprios" duzentinhos, acabados de passear pela city.
Cato meus dinhêro, emborço eles di vorta e me arretiro de lá a precura de otrô lugar onde findei meus afazêres mai trancuilamente.... Mai isso é uma outra estória, que conto procêis adispois.

Amoralidade dos fatoramentos:-

NINGUÉM GANHOU P**** NENHUMA OU GASTOU NENHUMA PÍLA, PORÉM AGORA TODOS VIVEM SEM DÍVIDAS  E COM O CRÉDITO RESTAURADO... E COMEÇAM A VER O FUTURO COM MAIS CONFIANÇA!... NAS MINHAS CUSTAS... POW!!!

NÃO QUEIRA ENTENDER DE ECONOMIA!

Dizem que Colombo foi o primeiro economista:
- Quando saiu, não sabia para onde ia.
- Quando chegou, não sabia onde estava.
E tudo por conta do Estado...

 Deussssssssssssssskiajude
Tatto

sábado, 13 de novembro de 2010

ESTOU ENVELHECENDO, FELIZ EU POR ISSO.....

RUBEM ALVES, BRILHANTE COMO SEMPRE.
UMA AULA DE INTELIGENCIA!



GANHEI CORAGEM 
Rubem Alves

 Colunista da Folha de São Paulo...

"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente
tem coragem para aquilo que ele realmente conhece",
observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe
acerca da hora em que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus
como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar:
a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio;
o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,
é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo
como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha
para que o povo, na planície,
se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso
que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Nietzsche, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras ideias.
Amava a prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão.
Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário
pelo mercado de escravos.
E o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava.
Oséias não teve dúvidas.
Comprou-a e disse:
"Agora você será minha para sempre.".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa
numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado.
O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros,
porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces;
a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola
com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos
sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões,
se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente:
judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa,
se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
"O Homem Moral e a Sociedade Imoral"
observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo,
a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente,
são incapazes de fazer mal a uma borboleta,
se incorporados a um grupo tornam-se capazes
dos atos mais cruéis.
Participam de linchamentos,
são capazes de pôr fogo num índio adormecido
e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.

Mas uma das características do povo
é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens
e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista
que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam
a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.

O nazismo era um movimento popular.
O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,
de Saramago, de silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo,
eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",
à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

Rubem Alves
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